sábado, 31 de julho de 2010

IRRESISTÍVEL DESEJO - Susan Crosby



Fiéis ao último pedido de um amigo, seis solteiros descobrem o verdadeiro valor da amizade… e do amor.

Milionário do mês: Devlin Campbell

Origem da fortuna: Herdeiro de um banco

Lema: Faça a coisa certa

O milionário Devlin Campbell jamais poderia imaginar que a noite de intensa paixão que passara com a misteriosa Nicole em Atlantic City teria conseqüências. Mas ao reencontrar Nicole muito longe dali, Devlin descobre que ela carrega um filho seu, e decide fazer o que julga correto. Mas será que dois completos estranhos conseguirão transformar a atração ardente em algo mais profundo?
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AS CHANCES


De conhecer um homem atraente num cassino: 1:1
De decidir impulsivamente passar a noite com o tal homem atraente: 1:5
De se apaixonar pelo novo amante: 1:10
De engravidar com uma noite de sexo: 1:100
De ele encontrá-la do outro lado do país: 1:10.000
De ele ser um milionário: 1:500.000
De ele se oferecer para se casar com você: 1:1.000.000

De ele se apaixonar por você: 1:??????????????????





PRÓLOGO

2 de janeiro, Sterling Palace Hotel e Cassino, Atlantic City, Nova Jersey

Devlin Campbell jogava 21 havia duas horas e perdia milhares de dólares, já que sua mente não estava no jogo, mas em uma carta guardada no bolso interno do paletó desde a manhã.
Não era fácil abalar Dev, mas a correspondência de uma página, impressa em um papel de uma firma de advogados da Califórnia, causara-lhe um choque intenso que ainda repercutia. Era impossível esquecer a carta, por isso, tentara ignorá-la da melhor maneira possível.
Tomou de uma vez seu quarto uísque com água, depois olhou de relance a mulher em pé, junto a seu ombro, que o olhava em silêncio. Mesmo antes de ficar meio embriagado, ela lhe parecera muito bonita. Seus cabelos eram longos, castanho-claros brilhantes, o corpo curvilíneo e tentador, mas o sorriso não lhe chegava aos belos olhos azuis. Estranhamente, a tristeza o atraíra tanto quanto seu corpo. Não sabia o nome dela, apenas que lhe dera sorte desde que a vira pela primeira vez, mais de uma hora atrás.
Estava perdendo quando a vira caminhando em direção à sua mesa e imediatamente ficara alerta, tudo nela o chamando, atraindo-o.
Parará para falar com um funcionário que passava e que apontou para algum lugar a distância. Olhara na direção apontada e então diretamente para ele, e congelara. Os olhos dela se abriram e, por alguns segundos, ambos se olharam fixamente. O carteador lhe chamara a atenção para o jogo e ele ganhou a mão.
Quando olhou de novo, ela estava passando por ele, bem perto.
— Espere — disse, segurando-lhe o braço, o contato parecendo queimar. — Você é meu talismã da sorte.
Ela parou. Tentou ir embora diversas vezes na hora seguinte, ele lhe implorara que ficasse, mais com os olhos do que com palavras. Ele a apelidou srta. Fortuna, esperando fazê-la rir, mas a tristeza nos olhos dela apenas se tornou mais profunda.
Mas não se fora, mesmo depois que uma pequena multidão curiosa se reunira para vê-lo ganhar cada mão, as apostas cada vez mais ousadas. O pessoal da segurança apareceu, observou cuidadosamente os movimentos de Dev, mas ele não estava roubando. Nem se incomodava de perder ou ganhar, queria apenas continuar a jogar.
A mão seguinte foi distribuída e Dev ergueu os cantos das cartas, um valete e um cinco, o tipo de mão que qualquer pessoa sensata consideraria suficiente, deixando que o carteador determinasse o resultado, mas Dev teve uma inspiração. As chances seriam de ele receber uma carta alta, ultrapassando o 21.
Mas recebeu um 6. Vinte e um. Era esse tipo de noite.
A srta. Fortuna abaixou a cabeça sobre seu ombro.
— Eu realmente preciso ir. Parabéns.
Ele voltou a cabeça, os rostos quase se tocando.
— Jante comigo.
— Não posso. — E saiu.
Teria de fazê-la parar à força, o que era tentador, mas apenas a olhara até que ela desapareceu na multidão, imaginando qual seria sua história, desejando poder pôr as mãos naquele corpo incrível.
A emoção do jogo desapareceu. Reuniu suas fichas, levantou-se e trocou-as.
E agora? Impossível dirigir para casa até a Filadélfia, não depois de quatro uísques. Mas podia se hospedar no hotel, pedir alguma coisa ao serviço de quarto, reler a carta e lidar com suas lembranças…
Hesitou, o que era raro. Geralmente, tomava decisões claras e rápidas em qualquer situação. Mas esta exigia que fizesse uma avaliação de sua vida, e não se sentia à vontade. Maldito seja você, Hunter. Foi ao balcão do hotel, conseguiu um quarto no 21° andar, seguiu para os elevadores e, quando a campainha de um deles tocou, aproximou-se da porta, esperando.
As portas de abriram. A srta. Fortuna estava nele.
Mais do que uma coincidência, pensou. Destino.
Ela não fez menção de sair. Ele entrou, apertou o botão do seu andar, as portas se fecharam. Um nó apertado se formou em seu peito quando viu aquela dor nos olhos dela.
— Quem partiu seu coração? — perguntou. Os olhos dela se encheram de lágrimas.
— Deixe-me consertá-lo — disse com suavidade. Sem dizer palavra, tomou-a nos braços e puxou-a gentilmente para junto dele. Ela resistiu um pouco, depois pressionou o rosto contra seu ombro e abraçou-o, apertando-o com força, deixando escapar um pequeno soluço. Ele lhe roçou a têmpora com os lábios. As portas se abriram depressa demais.
— Venha — murmurou. — Fique comigo esta noite. Depois de um momento ela acenou e saiu do elevador. Ele lhe tomou a mão.
— Qual é o seu nome?
— Nicole.
— Eu sou Devlin.
Caminharam pelo corredor de mãos dadas.


CAPÍTULO 1

1º de maio, Sterling Palace Hotel e Cassino, Stateline, Nevada

Onde estava a srta. Fortuna quando precisava dela?
Devlin Campbell observou o salão do cassino, o equilíbrio prejudicado pelas luzes de neon e o barulho incessante das máquinas caça-níqueis. Não conseguira ganhar uma só mão no 21. Não era supersticioso, não atribuía suas perdas à ausência de seu antigo talismã da sorte.
Sabia que a responsabilidade era da diferença do fuso horário.
Assim, em vez de se concentrar nas cartas, preferiu olhar as pessoas que passavam, embora não houvesse motivo para procurar continuamente por ela… a srta. Fortuna. Nicole. Afinal, encontrara-se com ela do outro lado do país, navios que se cruzavam à noite… ou, mais adequadamente, porto durante uma tempestade, encontrando conforto e refúgio nos braços um do outro por motivos que nenhum deles havia revelado.
Nunca tivera uma noite como aquela, antes ou depois, embora tivesse voltado duas vezes, esperançoso…
Sim, fuso horário. Com três horas de diferença da Filadélfia, já perdera um dia inteiro.
Sem mencionar os dias em que trabalhara 14 horas seguidas no último mês, preparando-se para esta viagem.
Dev observou o carteador distribuir as cartas, depois virar um rei para ele. Olhou as cartas, um 7 e um 5.
Não sabia por que fora ao cassino. A geladeira da casa de campo onde se hospedava fora bem abastecida por Mary, a zeladora, que o encontrara com a chave da casa. Poderia ter esquentado uma das refeições de um restaurante local e depois ido para a cama. Mas nem mesmo desfizera as malas ou se dera ao trabalho de percorrer a espetacular casa de madeira e pedra.
— Mais uma, senhor? — o carteador perguntou.
Acenou que sim e uma rainha caiu sobre suas cartas. Vinte e dois!
Perdedor. Não era uma palavra que combinava com o nome Devlin Campbell. Nunca!
Pegou as fichas que ainda restavam e se retirou da mesa, sentindo fome. Comeria alguma coisa simples e rápida e voltaria para a casa de campo, para dormir por pelo menos dez horas.
Os aparelhos de televisão transmitiam um jogo de basquete. Pediu uma cerveja e um hambúrguer com batatas fritas, levantou o copo de cerveja e olhou a sala. Uma mulher passava pela entrada. Uma mulher usando o uniforme do Sterling Palace. Uma mulher que o fez lembrar de…
A cerveja derramou sobre suas mãos quando deixou o copo com força sobre o balcão e correu para fora. Ela estava a menos de 10 metros à frente, andando depressa. Os mesmos cabelos brilhantes e castanho-claros, desta vez numa trança. Um corpo espetacular, pernas sexies que haviam abraçado seu corpo com força. Chamou:
— Nicole!
Ela se voltou, olhou para ele, hesitou, virou-se e andou mais depressa. Que diabos?
Estava fugindo dele? Por quê?
Não era uma ameaça, nem mesmo sabia seu sobrenome. Não que isso importasse, já que não tivera um segundo encontro ou uma segunda noite com uma mulher nos últimos dois anos, mesmo que ela fosse bela e sexy.
Mas… quisera uma segunda noite com Nicole, tão apaixonada e intensa quanto ele, afirmativa e exigente de uma forma que o fizera esquecer tudo naquela noite.
Até a chegada da carta.
Alcançou-a, segurou-lhe o cotovelo, fazendo-a parar.
— Está treinando para uma maratona? — perguntou.
O olhar dele abaixou para a etiqueta de identificação no uniforme: Nicole, Sacramento, Califórnia. Não sabia que era funcionária do Palace, não estava usando uniforme quando se encontraram.
— Oh, oi — disse ela. — Um…
— Devlin — informou, surpreso. Ela esquecera! — Janeiro? Atlantic City?
Ela fechou a jaqueta, libertando-se ao mesmo tempo de sua mão. Era ainda mais voluptuosa do que ele se lembrava. A memória não falhara. E, definitivamente, queria uma repetição daquela noite em Atlantic City.
— Eu me lembro — disse, sorrindo suavemente, mas, como da primeira vez em que se encontraram, o sorriso não chegava aos olhos dela.
— Você trabalha aqui.
— Sou subgerente do hotel.
Em circunstâncias normais, já teria saído e não teria se encontrado com Devlin. Mais uma vez, as mãos do destino a agarraram e não a soltaram. Era cedo demais.
Não estava pronta…
— Nic?
Sorriu para Ann-Marie.
— Estarei bem até o fim do plantão.
A jovem sorriu e voltou para o balcão. Nicole a seguiu. Era noite de terça-feira e havia pouca probabilidade de uma chegada em massa de hóspedes, mas era possível que Devlin quisesse um quarto e ela ficou junto ao balcão, esperando.
Alguns minutos antes das 21h, ele chegou e apontou para um lugar onde poderiam conversar sem serem ouvidos.
— Se não quer jantar, vamos tomar uma bebida?
Ela sacudiu a cabeça, esforçou-se para sorrir.
— Estarei aqui todas as noites até você dizer que sim.
— Todas as noites? Por quanto tempo…
— Está aqui a negócios?
— Não sei bem como responder a isso. Deveria ser por prazer, mas é a idéia de prazer de outra pessoa, não minha. Ficarei um mês.
Um mês! Segurou o balcão com força. Tudo estaria diferente em um mês. E agora?
O que deveria lhe contar? E quando? Precisava pensar no que dizer.
Mas não nesta noite. Não nesta noite. Amanhã seria pouco. Nada muda de uma hora para outra.
— Quer uma carona para casa?
— Tenho meu carro, obrigada.
— Vou acompanhá-la até ele.
Seu tom era mais de ordem que de oferecimento. Nunca aceitara ordens muito bem.
— Tenho algumas coisa a fazer antes. Tenho certeza de que nos encontraremos outra hora.
Entenda uma indireta, sr. Campbell. Está dispensado. Ela se voltou e deu alguns passos.
— Do que está com medo, Nicole? — perguntou, a voz bem alta para fazer Ann-Marie olhar para ele.
Ela se voltou para ele.
— Por que está me pressionando?
— Aquela noite que passamos juntos foi inesquecível. Então queria uma repetição. O que esperava? Amor à primeira vista?
— Isso foi naquele momento. Boa noite.
Ela se afastou, refugiando-se de novo no escritório e vigiando o lobby pela parte de vidro da porta. Segundos depois, o viu dirigindo-se para a saída do estacionamento.
Alguém balançou a mão para cima e para baixo na frente do vidro, depois mostrou o rosto sorridente. Sorriu de volta e abriu a porta. Juan Torres era o homem mais gentil da face da Terra.
— Muito obrigado por cobrir parte do meu plantão — disse Juan pregando o crachá de subgerente na lapela do paletó. — Fico devendo.
Ela lhe entregou uma folha de papel com a lista de problemas que haviam ocorrido durante seu plantão e apontou para um em particular.
— O hóspede do 1.015 já trocou de quarto três vezes desde que chegou às 18h.
— Qual é o problema?
— Quarto perto demais dos elevadores. A vista é horrível. Vizinhos barulhentos.
— Ah, o de sempre. Tentando conseguir hospedagem grátis.
Ela começava a responder quando viu o sr. Quarto 1.015 se aproximando do balcão, o olhar fixo, o andar determinado, claramente voltando para exigir novo quarto.
— Salva pelo gongo — murmurou Nicole com alívio. — Até amanhã, Juan.
Pegou a bolsa, despediu-se do pessoal do balcão, contente por estar a caminho de casa. Precisava ficar sozinha, pensar nas palavras certas para dizer a Devlin Campbell.
— Espere — disse Ann-Marie, correndo para alcançá-la. — Quero ter certeza de que chegará bem ao carro.
Não pôde deixar de sorrir. Ann-Marie, cinco anos mais nova, tentava protegê-la.
— Estou bem. — Pôs uma das mãos sobre o ventre, enfatizando: —Estamos bem.
— Deixe que eu vá com você, vamos pelo mesmo caminho.
Alguns segundos depois chegaram à porta de saída para o estacionamento. Devlin apareceu, assustando-a, bloqueando sua passagem. Os olhos verdes eram frios e duros quando olhou dentro dos dela, depois abaixou o olhar para seu ventre.
— Eh… vá na frente — disse a Ann-Marie, que olhou de Nicole para Devlin.
— Tem certeza? Quero dizer…
— Estou ótima, até amanhã. — Fez um movimento com a mão, indicando a porta a Ann-Marie, e esperou que Devlin falasse, tentando ficar calma, sem conseguir. Destino. Não conseguia escapar daquele homem.
Ele se aproximou.
— É meu?

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