Mas uma vez posto em ação o “Projeto Menino”, Ali conhece o doador, um bonito médico chamado Brad Darling. E a atração entre eles foi inegável.
Depois de uma noite de paixão, Ali descobriu que estava grávida. Mas as contas não saíam e Brad pensou que, nem ele era o pai do menino, nem ela era tão inocente como parecia.
Ali teria que convencê-lo de que aquilo não era nenhuma armadilha para casar-se com ele, simplesmente, o destino e a medicina moderna tinham conspirado para reunir duas almas gêmeas
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CAPITULO UM
― O quê?
― Que vou ter um menino – repetiu Ali Celeste, desfrutando da expressão de perplexidade no rosto de sua irmã Lynne.
― Mas como...? Eu nem sequer sabia que você tinha um noivo! – exclamou sua irmã a ponto de um colapso.
Ali decidiu esclarecer a situação.
― Disse que vou, não que estou – explicou, afastando o prato de salada.
Lynne se apoiou no encosto da cadeira e jogou uma toalha pela abarrotada cafeteria do hospital de Detroid. Provavelmente, para comprovar se alguém escutava a conversa, pensava Ali, incapaz de apagar o sorriso de seu rosto.
― Não tem graça ― disse Lynne, tentando mostrar-se séria. ― Me destes um susto de morte!
― Por quê?
― Grávida antes de contrair matrimônio? Mamãe se levantaria de sua tumba.
― Antes de contrair matrimônio? – riu Ali. Essa é uma expressão do século passado.
― Os princípios seguem sendo os mesmos - replicou Lynne, olhando a sua irmã com cara de reprovação.
Ali olhou o romance que havia ao lado de seu prato. Se pudesse encontrar um homem como o daqueles romances, pensava.
― Acreditei que queria te manter virgem até que chegasse o teu Príncipe Azul.
― E esse segue sendo o plano.
Lynne a olhou confusa.
― Do que está falando, Aléxis Enjoe?
― Bom, já sabe que trabalho em uma clínica de fecundação assistida...
― E o que tem isso...? – De repente Lynne abriu os olhos como pratos – Não está querendo dizer...?
― Por que não? Ali posso conseguir o que necessito... – seguiu dizendo Ali, para escândalo de sua irmã.
― Por favor, Ali, para que você necessita de um banco de esperma? Só tem vinte e oito anos...
― Já, mas dentro de um mês cumprirei outro ano mais – a interrompeu Ali.
― Esse é o problema? Sente-se velha?
Ali negou com a cabeça.
― Nunca pensei que na minha idade seguiria sendo solteira. E não me diga que continuo sendo uma menina...
― Mas ainda é. Ainda continuará por muitíssimo tempo.
Isso era o que Ali estava acostumada a pensar. Mas em sua mente seguia aparecendo a fantasia que tinha acariciado durante anos, a imagem de um homem forte e, de uma vez, sensível, que se apaixonaria loucamente por ela. Quase podia ver seus olhos: intensos, sinceros. E cheios de amor.
Ali olhou a capa do romance.
Exatamente como os daquele homem.
― Não te ofenda, Lynne, mas você pensava que tinha todo o tempo do mundo e olhe o que demorastes a ter um menino – disse Ali em voz baixa.
– Tinha quase quarenta anos quando ficou grávida.
Recorda os anos de ansiedade, por não mencionar a dinheirama que você e Ken gastaram em tratamentos?
Lynne assentiu com falta de apetite.
― Como vou esquecer? Se não tivesse sido pela herança de mamãe, ainda estaria pagando o empréstimo... Mas não me queixo, Keri merece cada centavo que gastamos.
― Estou de acordo – sorriu Ali, recordando as rosadas bochechas de Keri. Se gostava tanto de sua sobrinha, o que sentiria por um filho próprio? Sempre gostou de crianças e não tinha dúvidas de que iria fazer o correto. Seria uma inocente se esperasse o homem dos seus sonhos. Além disso, que possibilidades tinha de encontrá-lo? Era hora de tomar providências no assunto e se dava conta de que sua irmã começava a entendê-la.
― E não se esqueça de Bárbara. Ela não teve tanta sorte como você. Timmy é um céu e ela o quer como se fosse filho dela, mas nós duas sabemos que a adoção é o último recurso, quando todo o resto falhou.
Lynne tomou a mão de sua irmã.
― Carinho, que eu tenha tido problemas para ficar grávida não significa que você os vá ter.
― Mas não quero esperar até o último momento para saber. Além disso, não conheci um homem decente em dois anos. Dentro de nada terei trinta e continuarei tentando me atirar em cima de alguém. Por favor, compreenda-me. Necessito de apoio.
Ali olhou para Lynne, esperando que ela entendesse a seriedade de sua decisão.
― Vejo que está decidida – suspirou sua irmã por fim – Bom, se o que queria era minha benção, já a tem.
Ali desejava saltar da cadeira para abraçá-la.
― Obrigada Lynne, significa muito para mim. – Sorriu aliviada – O que você acha que Bárbara dirá?
― Provavelmente o mesmo que eu. Primeiro dirá que está louca e depois que faça o que achar melhor.
Nunca fomos capazes de te diz não pra tudo, irmãzinha, e você sabe.
Irmãzinha. Esse era o problema. Às vezes se perguntava se seu desejo de ter um filho não era uma forma de fazer com que suas irmãs deixassem de vê-la como uma menina. Sempre a tinham tratado desse modo, embora morasse sete anos sozinha e estava indo muito bem. Exceto nas relações amorosas. Os homens seguiam sendo um enigma para Ali.
― E falando em Bárbara – disse, mudando de assunto – O que acontece com a volta de Tom a Detroid?
― Pensava que voltariam antes do Natal, mas têm que esperar até a primavera – respondeu sua irmã, olhando a seu redor. – Por favor, te incomodas de jogar uma toalha? – sussurrou – Neste hospital há um montão de homens bonitos e não acredito que todos estejam casados.
Ali suspirou frustrada. De novo aquele assunto.
Ela não estava procurando um médico. A experiência a tinha mostrado. E, se, além disso, era bonito, era melhor esquecer o assunto. Provavelmente tinha um ego do tamanho de Saturno.
Mas Lynne pensava de forma diferente.
― Olhe esse loiro, o alto do canto.
― Por favor, Lynne. Deve medir dois metros. Justo o que me falta, um homem que meça quarenta centímetros a mais que eu.
― E esse com pinta de estudioso, o de óculos? – Insistiu Lynne.
― É homossexual.
― Como sabe?
― Não sei. – Riu Ali – Mas poderia ser. O assunto voltaria a aparecer. Sua irmã era imbatível ao desânimo.
― O que?
― Abaixe a voz – disse Brad Darling, olhando ao seu redor. ― Ouvistes perfeitamente.
― Mas, porque vais fazer… Isso? – perguntou Craig, escondendo a cara detrás de seu copo de suco, como se temesse que alguém pudesse ler seus lábios.
Brad riu gostosamente.
― Porque é rápido, fácil e lhe pagam muito bem. Nem todos nasceram em um berço de ouro como você, Craig.
― E quantas vezes tem-no feito? – Perguntou Craig.
― Hoje vai ser a primeira vez. Há uma clínica de fecundação assistida na nova ala do hospital e vou assim que terminar de comer. – respondeu Brad, perguntando-se se teria feito bem em contar ao seu amigo.
― E não tem medo de que alguém o reconheça?
― Por favor, Craig, não vou cometer nenhum crime.
― Mas tem uma reputação a manter. É médico…
― Apenas.
― Bom, somos residentes no hospital, mas ainda assim…
― Olhe, não vou de jaleco. Trocarei de roupa e entrarei pela porta principal, como se chegasse da rua. Se alguém me vir, que me veja. – Du de ombros Brad – Mas tão pouco penso em me anunciar.
Crag soltou uma gargalhada.
― Já posso imaginar as brincadeiras: “Brad, te interessa uma visita ao banco de esperma? Não tinham me dito que ganhas o salário com o suor da sua… mão.”
― Muito engraçado. – disse Brad, dando uma última dentada no sanduíche. – Tenho que ir. Falamos-nos depois.
― Até te diria: “Não faça nada que eu não faria”, mas…
― E é assim. Vão me pagar por isso. – sorriu Brad, pegando sua bandeja.
Desejava estar tão seguro como tinha feito Crag acreditar, mas na realidade, estava engasgado.
E Craig tinha razão sobre uma coisa. Se seus companheiros ficassem sabendo o que iria fazer, passariam um bom tempo rindo aos seus custos.
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CAPITULO UM
― O quê?
― Que vou ter um menino – repetiu Ali Celeste, desfrutando da expressão de perplexidade no rosto de sua irmã Lynne.
― Mas como...? Eu nem sequer sabia que você tinha um noivo! – exclamou sua irmã a ponto de um colapso.
Ali decidiu esclarecer a situação.
― Disse que vou, não que estou – explicou, afastando o prato de salada.
Lynne se apoiou no encosto da cadeira e jogou uma toalha pela abarrotada cafeteria do hospital de Detroid. Provavelmente, para comprovar se alguém escutava a conversa, pensava Ali, incapaz de apagar o sorriso de seu rosto.
― Não tem graça ― disse Lynne, tentando mostrar-se séria. ― Me destes um susto de morte!
― Por quê?
― Grávida antes de contrair matrimônio? Mamãe se levantaria de sua tumba.
― Antes de contrair matrimônio? – riu Ali. Essa é uma expressão do século passado.
― Os princípios seguem sendo os mesmos - replicou Lynne, olhando a sua irmã com cara de reprovação.
Ali olhou o romance que havia ao lado de seu prato. Se pudesse encontrar um homem como o daqueles romances, pensava.
― Acreditei que queria te manter virgem até que chegasse o teu Príncipe Azul.
― E esse segue sendo o plano.
Lynne a olhou confusa.
― Do que está falando, Aléxis Enjoe?
― Bom, já sabe que trabalho em uma clínica de fecundação assistida...
― E o que tem isso...? – De repente Lynne abriu os olhos como pratos – Não está querendo dizer...?
― Por que não? Ali posso conseguir o que necessito... – seguiu dizendo Ali, para escândalo de sua irmã.
― Por favor, Ali, para que você necessita de um banco de esperma? Só tem vinte e oito anos...
― Já, mas dentro de um mês cumprirei outro ano mais – a interrompeu Ali.
― Esse é o problema? Sente-se velha?
Ali negou com a cabeça.
― Nunca pensei que na minha idade seguiria sendo solteira. E não me diga que continuo sendo uma menina...
― Mas ainda é. Ainda continuará por muitíssimo tempo.
Isso era o que Ali estava acostumada a pensar. Mas em sua mente seguia aparecendo a fantasia que tinha acariciado durante anos, a imagem de um homem forte e, de uma vez, sensível, que se apaixonaria loucamente por ela. Quase podia ver seus olhos: intensos, sinceros. E cheios de amor.
Ali olhou a capa do romance.
Exatamente como os daquele homem.
― Não te ofenda, Lynne, mas você pensava que tinha todo o tempo do mundo e olhe o que demorastes a ter um menino – disse Ali em voz baixa.
– Tinha quase quarenta anos quando ficou grávida.
Recorda os anos de ansiedade, por não mencionar a dinheirama que você e Ken gastaram em tratamentos?
Lynne assentiu com falta de apetite.
― Como vou esquecer? Se não tivesse sido pela herança de mamãe, ainda estaria pagando o empréstimo... Mas não me queixo, Keri merece cada centavo que gastamos.
― Estou de acordo – sorriu Ali, recordando as rosadas bochechas de Keri. Se gostava tanto de sua sobrinha, o que sentiria por um filho próprio? Sempre gostou de crianças e não tinha dúvidas de que iria fazer o correto. Seria uma inocente se esperasse o homem dos seus sonhos. Além disso, que possibilidades tinha de encontrá-lo? Era hora de tomar providências no assunto e se dava conta de que sua irmã começava a entendê-la.
― E não se esqueça de Bárbara. Ela não teve tanta sorte como você. Timmy é um céu e ela o quer como se fosse filho dela, mas nós duas sabemos que a adoção é o último recurso, quando todo o resto falhou.
Lynne tomou a mão de sua irmã.
― Carinho, que eu tenha tido problemas para ficar grávida não significa que você os vá ter.
― Mas não quero esperar até o último momento para saber. Além disso, não conheci um homem decente em dois anos. Dentro de nada terei trinta e continuarei tentando me atirar em cima de alguém. Por favor, compreenda-me. Necessito de apoio.
Ali olhou para Lynne, esperando que ela entendesse a seriedade de sua decisão.
― Vejo que está decidida – suspirou sua irmã por fim – Bom, se o que queria era minha benção, já a tem.
Ali desejava saltar da cadeira para abraçá-la.
― Obrigada Lynne, significa muito para mim. – Sorriu aliviada – O que você acha que Bárbara dirá?
― Provavelmente o mesmo que eu. Primeiro dirá que está louca e depois que faça o que achar melhor.
Nunca fomos capazes de te diz não pra tudo, irmãzinha, e você sabe.
Irmãzinha. Esse era o problema. Às vezes se perguntava se seu desejo de ter um filho não era uma forma de fazer com que suas irmãs deixassem de vê-la como uma menina. Sempre a tinham tratado desse modo, embora morasse sete anos sozinha e estava indo muito bem. Exceto nas relações amorosas. Os homens seguiam sendo um enigma para Ali.
― E falando em Bárbara – disse, mudando de assunto – O que acontece com a volta de Tom a Detroid?
― Pensava que voltariam antes do Natal, mas têm que esperar até a primavera – respondeu sua irmã, olhando a seu redor. – Por favor, te incomodas de jogar uma toalha? – sussurrou – Neste hospital há um montão de homens bonitos e não acredito que todos estejam casados.
Ali suspirou frustrada. De novo aquele assunto.
Ela não estava procurando um médico. A experiência a tinha mostrado. E, se, além disso, era bonito, era melhor esquecer o assunto. Provavelmente tinha um ego do tamanho de Saturno.
Mas Lynne pensava de forma diferente.
― Olhe esse loiro, o alto do canto.
― Por favor, Lynne. Deve medir dois metros. Justo o que me falta, um homem que meça quarenta centímetros a mais que eu.
― E esse com pinta de estudioso, o de óculos? – Insistiu Lynne.
― É homossexual.
― Como sabe?
― Não sei. – Riu Ali – Mas poderia ser. O assunto voltaria a aparecer. Sua irmã era imbatível ao desânimo.
― O que?
― Abaixe a voz – disse Brad Darling, olhando ao seu redor. ― Ouvistes perfeitamente.
― Mas, porque vais fazer… Isso? – perguntou Craig, escondendo a cara detrás de seu copo de suco, como se temesse que alguém pudesse ler seus lábios.
Brad riu gostosamente.
― Porque é rápido, fácil e lhe pagam muito bem. Nem todos nasceram em um berço de ouro como você, Craig.
― E quantas vezes tem-no feito? – Perguntou Craig.
― Hoje vai ser a primeira vez. Há uma clínica de fecundação assistida na nova ala do hospital e vou assim que terminar de comer. – respondeu Brad, perguntando-se se teria feito bem em contar ao seu amigo.
― E não tem medo de que alguém o reconheça?
― Por favor, Craig, não vou cometer nenhum crime.
― Mas tem uma reputação a manter. É médico…
― Apenas.
― Bom, somos residentes no hospital, mas ainda assim…
― Olhe, não vou de jaleco. Trocarei de roupa e entrarei pela porta principal, como se chegasse da rua. Se alguém me vir, que me veja. – Du de ombros Brad – Mas tão pouco penso em me anunciar.
Crag soltou uma gargalhada.
― Já posso imaginar as brincadeiras: “Brad, te interessa uma visita ao banco de esperma? Não tinham me dito que ganhas o salário com o suor da sua… mão.”
― Muito engraçado. – disse Brad, dando uma última dentada no sanduíche. – Tenho que ir. Falamos-nos depois.
― Até te diria: “Não faça nada que eu não faria”, mas…
― E é assim. Vão me pagar por isso. – sorriu Brad, pegando sua bandeja.
Desejava estar tão seguro como tinha feito Crag acreditar, mas na realidade, estava engasgado.
E Craig tinha razão sobre uma coisa. Se seus companheiros ficassem sabendo o que iria fazer, passariam um bom tempo rindo aos seus custos.